Foi de pedra o primeiro verso
deste surrado peito em sonho imerso,
primeira manifestação de tédio.
Pedra bruta, opaca, arremessada a esmo,
fragmentada em partes de mim mesmo
soletraram palavras sem valia...
Foi de mármore a primeira rima,
esculpida de mágoas e auto estima,
revelação ambígua da verdade.
Calcário revitalizado e rude
pego entre espaço e tempo, como pude,
sonorizaram sílabas, nada mais.
Só depois foram cristais polidos
nas lágrimas sorvidas sem gemidos
entre um cálice e outro de euforia,
entre pequenas doses de alegria.
E como sinos que dobram na penumbra
de uma noite que perco na lembrança,
canto poesia da criança
eivada de tristezas e angústias.
Subo e desço ao calvário, compadeço
de ser fruto do acaso e da ironia
o mais tolo de todos os mortais,
brinquedo de QUEM faz a vida e a morte
levando-me incompleto aos funerais.
por saavedra fontes
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